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A Associação Brasileira de Medicina de Tráfego publicou uma recomendação polêmica! Confira a matéria com detalhes aqui!

Recomendações ao dirigir para as pessoas com diabetes

Dra.Fernanda Thome e Dra. Suzana Maria de Souza Vieira

Endocrinologistas e Membros do Departamento de Saúde Pública da Sociedade Brasileira de Diabetes

Recentemente, a Associação Brasileira de Medicina de Tráfego publicou uma recomendação que gerou uma certa polêmica: a de que uma pessoa, ao iniciar o tratamento de diabetes, deve interromper a condução de veículos temporariamente, para evitar episódios de hipoglicemia ao volante. Esta recomendação foi publicada no Portal IG: http://ultimosegundo.ig.com.br/igvigilante/transito/2016-07-12/diabetes-direcao-tratamento.html

A questão maior levantada na matéria foi com relação à hipoglicemia não percebida ou assintomática (quando o indivíduo tem hipoglicemia sem os sintomas). O motorista pode apresentar tremor, palpitação, sudorese, podendo evoluir diretamente para alteração do nível de consciência (confusão, desmaios, coma) ou convulsões. A matéria não fala claramente o que seria “equilibrar o diabetes”, pode levar ao entendimento de que seria uma hemoglobina glicada mais próximo ao alvo determinado para o paciente ou uma pequena variabilidade da glicemia.

Segundo a diretriz da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego, de 2004, considera que o indivíduo deveria deixar de dirigir por 12 meses, caso tenha tido uma hipoglicemia grave. Destaca ainda que considera como inaptos apenas portadores de grave e irreversível de microangiopatia (lesões nos pequenos vasos sanguíneos, como na retina, nervos, que levam à retinopatia e neuropatia e pé diabético), macroangiopatia (lesões em grandes vasos, como artérias do cérebro ou coração, que levam a infarto e derrame) que originam o comprometimento da capacidade de dirigir.

dirigir-diabetes

Após a publicação da diretriz, foram lançados vários tipos de medicação que têm um baixo risco de causar hipoglicemia. No diabetes tipo 1, que necessita de insulina desde o início, o tratamento tem maior risco de hipoglicemias que o diabetes tipo 2. Estudos têm mostrado que o controle intensivo do diabetes tipo 1, aumenta em até três vezes o risco de hipoglicemia, em outras palavras, quanto menor a hemoglobina glicada, maior o risco de hipoglicemia. Cabe aqui saber se a hipoglicemia é grave (necessidade de ajuda de outra pessoa ou atendimento de emergência para resolução da hipoglicemia) ou assintomática, que teriam um maior risco para direção. Mesmo com maior risco de hipoglicemia, a diretriz ressalta que “mesmo que a hipoglicemia seja um genuíno fator de risco, uma proporção relativamente pequena de episódios de hipoglicemia durante o ato de dirigir poderá resultar em acidente de trânsito e uma proporção extremamente pequena de todos os acidentes de trânsito poderá ser atribuída à hipoglicemia em motoristas com diabetes tratados com insulina”.

Mais atualizada, o Departamento Nacional de Trânsito publicou a Resolução 425/2012 (http://www.denatran.gov.br/download/Resolucoes/(Resolu%C3%A7%C3%A3o%20425.-1).pdf) , que não faz todas as considerações que a diretriz da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego realiza sobre os fatores de risco nos portadores de diabetes. Este público faz parte do questionamento de saúde, muito provavelmente por conta das complicações crônicas (retinopatia, neuropatia, doença cardiovascular). Para isso, ele recomenda avaliações específicas como: oftalmológica; otorrinolaringológica; cardiorrespiratória; neurológica; do aparelho locomotor, onde serão exploradas a integridade e funcionalidade de cada membro e coluna vertebral, buscando-se constatar a existência de malformações, agenesias ou amputações, assim como o grau de amplitude articular dos movimentos; dos distúrbios do sono, exigida quando da renovação, adição e mudança para as categorias C, D e E; e exames complementares ou especializados, solicitados a critério médico.

Apesar de estas recomendações serem válidas, seria importante complementarmos estas com:

  • Medir a glicemia antes de dirigir e a intervalos regulares por uma hora ou mais;
  • Deixar prontamente disponível no carro, antes de começar a dirigir, o medidor de glicose e uma fonte de carboidrato de rápida absorção para correção da hipoglicemia;
  • Tentar estacionar o carro assim que a pessoa sentir sintomas de hipoglicemia;
  • Reavaliar a glicemia;
  • Corrigir hipoglicemia, após sua confirmação, ou caso não consiga confirmar a mesma pela medida da glicemia capilar, ingerir carboidratos como se estivesse em hipoglicemia;
  • Medir novamente a glicemia após ingestão de carboidratos;
  • Voltar a dirigir após a recuperação dos níveis glicêmicos e dos sintomas de hipoglicemia, que pode durar de 30 a 60 minutos por conta do atraso na recuperação dos sintomas cognitivos;
  • Avaliação contínua da glicose pode ser uma importante ferramenta, já que oferece a tendência das variações da glicemia.

Com estas medidas, o risco de uma pessoa não saber prevenir a hipoglicemia ou, se caso tiver sintoma, já sabe como administrar a correção para evitar qualquer acidente e colocar em risco a sua vida como a dos outros. A chave neste caso é ter informação e educação em diabetes!

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