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A atuação do açúcar no envelhecimento

O Consumo Excessivo de Açúcar e o Envelhecimento

Dra. Andressa Heimbecher*

O envelhecimento é um processo fisiológico natural do organismo. Porém, vários fatores podem acelerar ou retardar esse fenômeno, tais como a própria tendência genética da pessoa, seus hábitos ao longo da vida, como as horas de sono, tabagismo, etilismo, desenvolvimento de doenças crônicas, grau de estresse…enfim, uma série de condições estão associadas.

O sono é essencial para a liberação de diversos hormônios, dentre eles o hormônio de crescimento (GH), secretado no período noturno e o cortisol, fabricado pelas glândulas suprarrenais em uma maior quantidade pela manhã, decaindo ao longo do dia até chegar a níveis séricos muito baixos à noite. O sono ruim faz com que o cortisol seja liberado fora de ritmo ao longo do dia, podendo desencadear alterações hormonais que, por sua vez, podem ocasionar perda da barreira de proteção da pele e piora na sua regeneração, fazendo com que os processos alérgicos durem mais. Além disso, os cabelos poderão também ser afetados, piorando em qualidade e quantidade, com um aumento em sua queda, chamada eflúvio. Noites mal dormidas podem ser denunciadas pela formação de bolsinhas ao redor dos olhos, indicativas de dificuldade na drenagem linfática da região.

Estudos acadêmicos comprovam que o consumo excessivo de açúcar associado a uma vida sedentária contribui para o desenvolvimento de resistência à insulina e, eventualmente, o diabetes (entre eles: http://www.diabetes.org.br/publico/diabetes-em-debate/1037-consumo-excessivo-de-acucar-e-diabetes-a-polemica-revisitada-pela-oms).

Sabemosacucaremail que o diabetes mellitus é uma doença crônica que causa a formação de radicais livres, os quais atuam no envelhecimento das células. Isso tudo pode ser evitado com a prática de atividade física. Hoje, a ciência comprova que quando somos mais fisicamente ativos, menos envelhecimento celular temos e o segredo está nos telômeros que, nada mais são do que estruturas de proteínas que revestem a ponta do DNA e representam o nosso relógio biológico. E é justamente nos telômeros dos adultos que praticam atividade física de alta intensidade (30 minutos de corrida por dia para mulheres e 40 para homens, 5 dias na semana) que está a diferença. Os adultos sedentários de mesma idade tinham telômeros nitidamente menores que os adultos ativos.

A explicação para tal fato é a redução da inflamação orgânica e dos radicais livres ao longo do tempo, um dos benefícios já conhecidos da atividade física.

Além disso, o excesso de açúcar está associado ao processo de glicação no organismo, ou seja, moléculas de açúcar se unem a diversas proteínas orgânicas causando a sua desestruturação. Quando ocorrer no colágeno da pele, pode levar ao envelhecimento precoce.

Mas, não é só o açúcar o vilão da história. Com a evolução dos estudos na área da nutrição, foi possível classificar o amido em três tipos: amido de digestão rápida, aquele que tão logo consumido, eleva os níveis de glicose sanguínea e, por isso, são chamados de alto índice glicêmico e considerados grandes contribuidores no processo de envelhecimento. O segundo e terceiro tipos são respectivamente o amido de digestão intermediária e o amido resistente.

Já, o amido resistente, funciona como uma fibra e, como o próprio nome sugere é resistente à digestão, sendo fermentado no intestino grosso, onde é extremamente benéfico para o metabolismo como um todo, ou seja, reduz o índice glicêmico devido lentificar a absorção de glicose de outros alimentos e regulariza o ritmo intestinal.

Portanto, uma ótima conduta a ser adotada na alimentação diária é substituir os carboidratos simples pelos complexos, devido aos primeiros possuírem menor estrutura molecular e, portanto, rapidamente absorvidos pelo intestino, órgão que funciona de maneira similar a uma esponja, absorvendo muito rápido as moléculas menores e lentamente as maiores. Açúcar refinado, arroz branco, farinha branca, chocolate, doces, leite e derivados, xarope de milho e frutose, refrigerantes, sucos de frutas em “caixinha”, frutas naturais consumidas em excesso, são os principais representantes dos carboidratos simples.

O grande problema do excesso de açúcar e dos carboidratos de alto índice glicêmico é que eles forçam o nosso pâncreas a liberar uma maior quantidade de insulina em um menor espaço de tempo, aumentando dessa forma o risco de diabetes tipo 2. Além disso, há uma maior tendência ao aumento de peso, em decorrência dos carboidratos simples estimularem os centros de recompensa cerebrais, cuja tendência é induzir o indivíduo a consumir cada vez mais alimentos ricos em carboidratos.

Este processo é diferente quando ingerimos os carboidratos complexos. Eles têm a estrutura molecular maior e geralmente são conhecidos como fibras alimentares (celulose, hemiceluloses, pectinas, gomas e mucilagens) que não são digeridas pelo trato gastrointestinal humano. Encontramos nas farinhas integrais, abóbora, aveia, batata doce, brócolis, cereja, ervilha, gergelim, iogurte light, linhaça, lentilhas, quinoa, alguns de seus exemplos.

Dormir bem, ter uma alimentação diversificada e que contenha alimentos antioxidantes como vitaminas, fazer check up periódico e reduzir o estresse diário certamente fazem parte da receita da fonte da juventude!

 

*Dra. Andressa Heimbecher é medica endocrinologista.

Vanessa Pirolo

Jornalista, criadora do blog convivência com diabetes, tem diabetes desde o seus 18 anos, e redatora do Portal DBCV. Quer me conhecer melhor? Então, clique aqui!

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