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Aumento de casos com diabetes tipo 2 pede mudança de estilo de vida já!

Lei da ação e reação: Você é responsável pela sua saúde

“Se você não gosta do que está obtendo, mude o que está fazendo – depende de você ensinar as pessoas a respeito de como quer ser tratado. Culpamos o outro com muita frequência. Se uma sociedade não está dando certo ou se um relacionamento está indo mal, você também é responsável por isso. Se alguém descarrega tudo em cima de você, metade da culpa é sua”. Este trecho é do escritor Andrew Matthews, no livro “Faça Amigos”.Diabetes_no_Brasil_e_no_Mundo (1)

Com os dizeres do autor, pode-se constatar que todas as escolhas levam a certos caminhos e temos de enfrentar todas as consequências de nossos atos. Muitas vezes não optamos pelo mais correto e outras vezes escolhemos os caminhos mais curtos que nos trazem mais dificuldades.

Assim, a humanidade evoluiu em descobertas científicas, inovou com a tecnologia, que também proporcionou mais facilidades para nossa vida. Mas nem sempre estas inovações trouxeram e trazem somente benefícios para os seres humanos.

Segundo pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia Estatística), sobre levantamento Avaliação Nutricional da Disponibilidade Domiciliar de Alimentos no Brasil, feito com base na Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), o brasileiro está comendo mal em casa. “Frutas e verduras, que deveriam corresponder de 9% a 12% das calorias diárias, representam 2,8%. Açúcares livres equivalem a 16,4% das calorias, quando a recomendação é de 10%. Os alimentos essencialmente calóricos a base de óleos e gorduras vegetais, gordura animal, açúcar de mesa e refrigerantes, atingem 28% das calorias consumidas”, aponta o estudo.

Além disso, o levantamento destaca que há aumento da participação no total de calorias de alimentos como pão francês (aumento de 13%), biscoito (10%), queijos (16%), refrigerantes (16%), bebidas alcoólicas (28%) e refeições prontas e misturas industrializadas (40%). Tiveram menor presença arroz (queda de 6%), feijões (18%), farinha de trigo (25%), leite (10%) e açúcar (8%).

Outro estudo, realizado pela American Diabetes Association (ADA), constata que há 50 anos o diabetes tipo 2 representava menos de 3% de todos os novos casos diagnosticados entre crianças e adolescentes. Hoje, nos Estados Unidos, ele é responsável por até 30 em cada 100 casos. No grupo dos adolescentes, segundo um estudo publicado no Journal of Pediatrics, a incidência do tipo 2 ultrapassa a casa dos 45% dos novos casos de diabetes.

Apesar de o Brasil ainda não ter estatísticas que documentam o número de crianças e adolescentes com diabetes tipo 2, vários médicos já relatam que houve um aumento no número de casos, principalmente até devido a fatores como sobrepeso e obesidade. De acordo com dados do IBGE e do Vigilantes do Peso, atualmente 15% dos brasileiros entre 6 anos e 18 anos já estão com sobrepeso; 5% são obesos e estes índices continuam aumentando, principalmente nas camadas menos favorecidas.

O endocrinologista do Hospital Albert Einstein, Dr. Daniel Lerário, explica as razões do aumento do diabetes tipo 2 em crianças: “todos os dados indicam que a aliança entre sedentarismo e a má alimentação originam tanto a epidemia da obesidade quanto também a do diabetes”.

Vera Lúcia Perino Barbosa, Doutora em Ciências da Saúde e Presidente do Instituto Movere, ONG que lida com crianças e adolescentes com sobrepeso e obesidade de baixa renda, também compartilha a mesma opinião em relação às causas que originam tanto a obesidade como o diabetes nos jovens. “Podemos citar os fatores genéticos, culturais, ambientais, falta de informação da população sobre a doença, pais que não reconhecem a obesidade dos filhos. De fato, o maior problema que enfrentamos hoje é a família reconhecer que a criança está obesa. Esta dificuldade se explica porque a maioria dos pais destas crianças também está acima do peso, o que dificulta essa percepção. Enxergar a obesidade em seu filho significa enxergar a obesidade em si própria, e a necessidade de mudar os hábitos de toda a família”, afirma.

Dessa forma, o Dr. Daniel relata que “se a pessoa tiver na família uma predisposição genética a diabetes e obesidade e já tiver indicações que a criança está com sobrepeso e é sedentária, é necessário fazer um acompanhamento médico mais precoce para que não desenvolva a doença”.

Agora se o jovem for diagnosticado com diabetes, o endocrinologista faz algumas recomendações “precisa ter um acompanhamento multidisciplinar, incluindo médico, nutricionista e psicólogo. Além disso, precisa ter incentivo e apoio familiar para se tratar e conseguir superar a condição. Outro diferencial importante é buscar auxílio de associações de diabetes para receber informações e compartilhar a experiência com outras pessoas com diabetes. Assim, o envolvimento da família proporcionará um estilo de vida mais saudável para todos os membros”, explica Dr. Daniel.

“O profissional de nutrição buscará mais do que um cardápio para modificar os hábitos desta família, mas orientará a seleção e o modo de preparação dos alimentos. Já o educador físico poderá capacitar as crianças a realizarem atividades específicas para a perda de peso. E o psicólogo proporcionará às crianças e a seus familiares o restabelecimento da autoestima, da autoconfiança e do reconhecimento de si e do outro”, acrescenta Dra. Vera.

Livre arbítrio é a crença que defende que a pessoa tem o poder de escolher suas ações. Cada família tem a escolha de mudar ou não o estilo de vida para ter ou não uma vida mais saudável. Se a intenção de cada membro da família é ter longevidade sem complicação, então mãos à obra. A reação será uma vida plena e mais feliz!

Vanessa Pirolo

Jornalista, criadora do blog convivência com diabetes, tem diabetes desde o seus 18 anos, e redatora do Portal DBCV. Quer me conhecer melhor? Então, clique aqui!

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