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Como identificar se a hipoglicemia é grave e quando é necessário ir ao hospital?

Hipo Grave ou Não?É normal que no início do tratamento do diabetes, a pessoa tenha mais incidência de hipoglicemia e, ao longo do seu tratamento, continuará a ter episódios de hipoglicemia. Também é normal que a pessoa se pergunte: Posso solucionar esse episódio sozinha ou preciso ir ao hospital?

Para esclarecer esses pontos, Dra. Karla Melo, endocrinologista, comenta “não é possível definir um limite único de glicemia para diagnóstico de hipoglicemia, tendo em vista que os seus sintomas podem aparecer em níveis mais baixos para indivíduos que têm episódios frequentes de hipoglicemia; e em níveis mais elevados naqueles pacientes que apresentam glicemias frequentemente elevadas. De qualquer forma, define-se valores de glicemia ≤70 mg/dL como um alerta para a presença de hipoglicemia”.

“Os primeiros sintomas são as primeiras respostas do organismo à queda de glicose no sangue e são semelhantes aos sintomas que qualquer indivíduo pode apresentar durante um susto/estresse agudo, como taquicardia (batidas cardíacas aceleradas), sudorese (aumento do suor) e tremores. Hipoglicemias frequentes podem reduzir o nível de glicemia abaixo do qual estes sintomas ficam aparentes, podendo evoluir para hipoglicemias graves. Nestas situações, os pacientes podem apresentar confusão mental, mudança de comportamento, irritabilidade, fraqueza, inquietação, sonolência, convulsões, perda da consciência, podendo levar à morte. Alguns pacientes queixam-se de sintomas extremamente subjetivos como dormência e formigamento em regiões do corpo, ficar alheio ao ambiente e sensações ‘estranhas'”, acrescenta Dra. Karla.

Por isso, quando a pessoa tem sintomas de hipoglicemia, é necessário avaliar antes se é válido ir para o hospital. “Se o paciente estiver consciente e com condições de resolver a sua hipoglicemia, por meio da ingestão de carboidratos, não precisará dirigir-se ao hospital. Deverá ingerir 15 a 20 gramas de carboidratos de absorção rápida, como 1 colher das de sopa com açúcar ou mel, ou ½ lata de refrigerante comum, ou uma laranja, maçã ou pera, ou 3 balas de caramelo. Após a ingestão, aguardar 15 a 20 minutos para a resolução dos sintomas. Caso ainda esteja sentindo-se mal reavalie a sua glicemia ou repita a ingestão de mais 15 a 20 gramas de carboidrato”, sugere a médica.

“Caso o paciente tenha perdido a consciência, não se deve tentar administrar alimentos por boca, pelo risco de aspiração deste conteúdo para os pulmões. Um único procedimento pode ser feito em domicílio, a administração subcutânea ou intramuscular de glucagon. Logo que o paciente recuperar a sua consciência, deverá ingerir carboidratos de absorção rápida para evitar recorrência da hipoglicemia. Caso não tenha glucagon disponível no domicílio, levar o paciente rapidamente ao hospital para atendimento em pronto-socorro”, alerta Dra. Karla.

“Quando chegar ao pronto-socorro, é importante informar à equipe o diagnóstico de diabetes, os medicamentos em uso e se o paciente costuma ter episódios de hipoglicemia grave. Assim, vão verificar a glicemia, durante a avaliação. Além disso, é importante ter em sua carteira um cartão de identificação de portador de diabetes. Ajudará na resolução de hipoglicemias graves nas quais o paciente entre no pronto-socorro com perda de consciência. Levar o glicosímetro ajudará a entender melhor o controle glicêmico do paciente. É importante que os portadores de diabetes tipo 2, que utilizam muitos medicamentos, levem a sua última receita ou os medicamentos em uso. Estes procedimentos ajudarão no atendimento e na resolução do quadro que levou o paciente ao hospital”, aconselha a médica.

Por isso, Dra. Karla finaliza suas recomendações com uma mensagem “quanto mais informativo for o paciente sobre o seu controle glicêmico e as suas respostas aos diversos estímulos e tipos diferentes de tratamento, maior a possibilidade de ter ajustes terapêuticos adequados. Lembre-se, adivinhar é proibido e o médico terá apenas as informações que você disponibilizar. Veja os componentes da equipe de saúde como profissionais que estão ali para ajudar a restabelecer a sua saúde e uma rotina saudável”.

Vanessa Pirolo

Jornalista, criadora do blog convivência com diabetes, tem diabetes desde o seus 18 anos, e redatora do Portal DBCV. Quer me conhecer melhor? Então, clique aqui!

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