Home / Consumidores / Confira a atuação da metformina no organismo!

Confira a atuação da metformina no organismo!

Aprenda como a Metformina atua no Organismmetformina no organismo textoo

Dr. Ivan Cesar Correia de Sousa*

A metformina (um derivado da biguanida) é uma medicação antidiabética de uso oral que não estimula a produção de insulina, não tendo por isso ação hipoglicemiante em pessoas sem diabetes. Em indivíduos que têm diabetes, reduz os níveis de glicose sem o risco de causar episódios de hipoglicemia, exceto se associada a outras medicações, principalmente em jejum. Além disso, reduz a glicemia por diversos mecanismos: atuando no aumento da sensibilidade dos tecidos periféricos à insulina e na utilização celular da glicose, na inibição da formação de glicose (gliconeogênese) pelo fígado e no retardo da absorção intestinal da glicose.

Está indicada no tratamento do diabetes tipo 2 não dependente de insulina, no diabetes tipo 1, dependente de insulina, como complemento da insulina em casos especiais, como nos pacientes mais instáveis ou com resistência à sua ação, nos casos de Síndrome de Resistência à Insulina geralmente associados à obesidade, à esteatose hepática gordurosa não alcoólica (NASD) e também à Síndrome dos Ovários Policísticos (PCOS), onde evidências experimentais ao longo dos anos comprovaram a sua eficácia no tratamento de ditas afecções.

A metformina é uma droga de primeira linha no tratamento de pacientes com diabetes tipo 2 com sobrepeso ou obesidade, oferecendo uma abordagem fisiopatológica seletiva pelo seu efeito sobre a resistência à insulina. Além disso, vários estudos têm estabelecido o efeito favorável do fármaco sobre o peso corporal, não só na avaliação do Índice de Massa Corporal (IMC), mas também se a composição da mesma é considerada através da redução da massa gorda, provoca uma pequena, mas estatisticamente significativa diminuição do IMC, quando adicionado a um programa de intervenção na mudança de estilo de vida em obesos.

Esse medicamento pode ser usado com segurança por pessoas que não tenham diabetes mellitus tipo 2, cuja finalidade é o emagrecimento, principalmente por aquelas que se enquadram na síndrome de resistência à insulina ou relacionadas à obesidade e nos quadros de síndrome de ovários policísticos. Estudos sugerem que reduz a hipertensão arterial e disfunção endotelial. Mas é importante sempre ter a indicação médica.

Por outro lado, a medicação também pode estar contraindicada em pessoas alérgicas. Como 20% delas apresentam efeitos colaterais relacionadas ao intestino, e, para aquelas que já possuem problemas intestinais como gastrite, refluxo, síndrome do intestino irritável e doenças inflamatórias intestinais, também devem evitá-la.

Seus principais efeitos colaterais são intestinais, como náusea, vômitos, dor epigástrica, flatulência, cólicas e diarreia. Outros menos comuns são astenia, fraqueza, dor muscular e redução dos níveis de vitamina B12.

A metformina também está indicada como tratamento coadjuvante da esteatose hepática e não de forma isolada. A perda de peso, o exercício regular e a modificação na composição da dieta parecem melhorar anormalidades bioquímicas e histológicas na NASH. Os sensibilizadores à insulina (metformina) e a vitamina E parecem ser os mais promissores. No entanto, causam efeitos colaterais. Uma abordagem multifacetada de modificações no estilo de vida, perda de peso e farmacoterapia pode ser usada em combinação, mas nenhuma conduta de tratamento único se mostrou universalmente aplicável à população geral com NASH e estudos clínicos e pré-clínicos contínuos sobre fármacos existentes e potenciais são necessários para melhorar o tratamento da doença.

Gostaria de acrescentar como observação que, em idosos é comum a metformina levar à perda do apetite e emagrecimento. Se isto ocorrer, mesmo em pacientes com diabetes, deve ser considerada a redução da dose ou até sua interrupção. Além disso, idosos costumam ter perda da função renal e dependendo de sua gravidade, o medicamento deverá ser reduzido ou suspenso.

O fármaco demonstrou recentemente exercer potenciais efeitos anticancerígenos. Muitos dados retrospectivos e estudos laboratoriais sugerem a ideia de que ele possui atividade antineoplásica, mas outras pesquisas chegam a conclusões conflitantes. Embora os mecanismos moleculares precisos pelos quais o medicamento afeta vários tumores não tenham sido completamente elucidados, está associado como agente anticancerígeno.

*Dr. Ivan Cesar O. Correia de Sousa é médico especialista em endocrinologia e nutrologia, com pós-graduação em neurointensivismo. Integra o corpo clínico do Hospital Sírio Libanês em São Paulo.

Vanessa Pirolo

Jornalista, criadora do blog convivência com diabetes, tem diabetes desde o seus 18 anos, e redatora do Portal DBCV. Quer me conhecer melhor? Então, clique aqui!

More Posts - Website

Deixe Seu Comentário

comentários

Veja também

14 bruno

A corrida em prol de investimento para uma pesquisa clínica do diabetes! Conheça a campanha de Bruno Helman!

A prática da corrida traz um bem estar para boa parte das pessoas. Para outras ...