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Conheça a estreita relação do diabetes com a Doença de Addison

A Doença de Addison e a Hipoglicemia

Dra. Eliana Pirolo*

Caro leitor, se você está apresentando fraqueza muscular, fadiga, perda de peso, diminuição do apetite, escurecimento da pele (hiperpigmentação), pressão arterial baixa (incluindo desmaio), desejo por consumir sal, hipoglicemia persistente após ter esgotado todos os recursos possíveis para evitá-la e corrigi-la, náuseas e vômitos, diarreia, dor muscular, dor nas articulações, irritabilidade, depressão, perda de pelos no corpo, disfunção sexual, hipercalemia (altas concentrações de potássio no sangue), é muito provável que possa ter a doença de Addison, ou também conhecida como insuficiência adrenocortical.

Essa doença é decorrente da incapacidade das glândulas adrenais de produzirem quantidades suficientes de seus hormônios. Foi descrita pela primeira vez pelo médico inglês Thomas Addison em 1849.

Lembrando que, as glândulas adrenais, também conhecidas como suprarrenais, estão localizadas acima dos rins e são divididas em duas partes: o córtex e a medula, responsáveis pela produção de hormônios. A primeira produz corticosteroides (cortisol) e a segunda, catecolaminas (adrenalina).

Esses hormônios são produzidos em resposta ao estresse. As glândulas suprarrenais também secretam aldosterona, hormônio diretamente envolvido na osmolaridade do sangue, ou seja, o equilíbrio entre o sódio e o potássio presentes no plasma sanguíneo e são responsáveis por estimular a conversão de proteínas e gorduras em glicose, diminuindo a captação da mesma pelas células, aumentando assim a utilização de gorduras pelo corpo. O córtex também produz pequenas quantidades de andrógeno, o hormônio sexual masculino, tanto em homens quanto em mulheres.

Existem várias causas que podem desencadear a insuficiência adrenal, como por exemplo a interrupção brusca do uso de medicamentos corticoides, bastante utilizados por pessoas que tratam doenças crônicas como esclerose múltipla e asma. Por esse motivo, devemos desmamá-los aos poucos para evitar tais complicações.

Chamamos de insuficiência adrenal primária quando o córtex das glândulas suprarrenais sofre algum tipo de dano, impossibilitando-o de produzir hormônios em quantidades adequadas, podendo ocorrer devido a um problema autoimune, ou seja, quando as células de defesa do organismo “enxergam” o córtex adrenal como um agente “invasor” e o atacam, prejudicando assim suas funções.

Outros motivos podem levar à insuficiência adrenal primária, citando como exemplos: tuberculose, infecções das glândulas suprarrenais causadas por HIV e fungos, propagação de um câncer para as glândulas, sangramento das mesmas e uso de medicamentos anticoagulantes.

Estamos diante de uma insuficiência adrenal secundária quando há problema com a glândula pituitária, responsável pela secreção do hormônio adrenocorticotrófico (ACTH), que estimula o córtex adrenal a produzir seus hormônios. Produção inadequada ou insuficiente de ACTH gera queda na produção de hormônios produzidos pelas suprarrenais.

Os principais fatores de risco para a Doença de Addison incluem algumas doenças específicas como: Doença de Graves, tireoidite crônica, dermatite herpetiforme, disfunção testicular, AIDS, hipoparatireoidismo, vitiligo, miastenia grave, anemia perniciosa, diabetes, hipopituitarismo.

Caso o paciente apresente os sinais e sintomas acima citados, o médico fará a requisição de exames laboratoriais para o fechamento do diagnóstico e tratamento adequado.

  • Exame de sangue.
  • Teste de estimulação do ACTH, que envolve a medição do nível de cortisol no sangue antes e depois de uma injeção de ACTH sintético.
  • Teste hipoglicêmico induzido por insulina, geralmente recomendado para um possível diagnóstico de insuficiência adrenal secundária.
  • Exames de imagem como tomografia computadorizada e ressonância magnética.

O tratamento para a Doença de Addison incluem algumas opções como o uso de corticosteroides orais, injeções de corticoide ou terapia de reposição de andrógeno.

Essas opções de tratamento ajudam a melhorar os sintomas, mas provavelmente o paciente terá de fazer uso delas por toda a vida. Por outro lado, essa patologia se não for devidamente tratada, poderá causar complicações de saúde desencadeando outras doenças tais como: diabetes, tireoidite de Hashimoto, hipoparatireoidismo, tireotoxicose, hipofunção ovariana ou insuficiência testicular e anemia perniciosa ou anemia de Addison.

*Dra. Eliana Pirolo é cirurgiã dentista, Mestre em Ciências da Saúde pela Universidade Federal de São Paulo – Escola Paulista de Medicina e Doutoranda pelo Departamento de Ginecologia Endocrinológica da Universidade Federal de São Paulo- Escola Paulista de Medicina.

Vanessa Pirolo

Jornalista, criadora do blog convivência com diabetes, tem diabetes desde o seus 18 anos, e redatora do Portal DBCV. Quer me conhecer melhor? Então, clique aqui!

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