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Conheça o perfil da Dra. Hermelinda Pedrosa, nova presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes

Os Desafios da Endocrinologia

Hermelinda 2

Hermelinda Cordeiro Pedrosa

Aos leitores do Portal, gostaria de contar um pouco da minha trajetória profissional, enfatizando a mudança na escolha da especialidade médica, que na minha vida fez toda a diferença.

A minha formação em Medicina se deu na Paraíba pela Faculdade de Medicina de Campina Grande (hoje parte da UFCG). Resolvi deixar a região nordeste brasileira para fazer o Internato em Brasília na Fundação Hospitalar do Distrito Federal (FHDF) que, na época, era ícone da saúde pública no país. Após esta etapa, prestei residência para Psiquiatria no Hospital Universitário de Brasília, no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto em São Paulo e também em Clínica Médica no Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF) da SES-DF. Meu desejo era ser psiquiatra e seguir um ideal – uma linha de “Antipsiquiatria”, voltada para o social e a desospitalização, que foi sendo desconstruída aos poucos com as práticas hospitalares da época e que infelizmente ainda persistem.

A Residência em Clínica Médica do HBDF foi a primeira a ser assumida e, encantada pela medicina interna, desisti de seguir ambos os programas de Residência em Psiquiatria, para os quais estava aprovada, no Hospital Universitário de Brasília (HUB) e Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, em São Paulo.

Não foi uma decisão fácil escolher a especialidade, porque cada rodízio em Clínica Médica me motivava, sobretudo Nefrologia e Endocrinologia, sendo esta última mais abrangente, porque diabetes era (e ainda é) a maior causa dos pacientes em diálise, ter uma irmã com diabetes mellitus tipo 1, outra com tireoidite de Hashimoto e uma avó que apresentou infarto agudo do miocárdio silencioso e tinha diabetes não diagnosticado, sem dúvida, contribuíram para que eu decidisse seguir Endocrinologia.

A minha carreira teve uma base essencialmente voltada à Saúde Pública na FHDF (já extinta) da Secretaria Estadual de Saúde-DF (SES), conciliando atividades de assistência, ensino e pesquisa. Destacaria a preceptoria na Residência em Clínica Médica do Hospital Regional de Taguatinga (HRT), a criação da Residência em Endocrinologia (2004) e Unidade de Endocrinologia do HRT ((UENDO, 2012), além da Coordenação do Programa de Educação de Controle do Diabetes (PECD-DF) juntamente com José Bernardo Peniche e Maria Stela Dias (1997 a 2001). Entre 2001 e 2004 atuei como docente fundadora do Curso de Medicina da Escola Superior em Ciências da Saúde da Fundação de Ensino e Pesquisa em Ciências da Saúde da SES-DF. Retomei a Coordenação de Diabetes até 2012 e desde então passei a dirigir o Polo de Pesquisa da UENDO-Hospital Regional de Taguatinga. Ao longo desses anos, conseguimos investir na rede da SES-DF e várias iniciativas pioneiras foram implantadas: O Projeto Salvando o Pé Diabético, que se estendeu para o país e possibilitou vários links no exterior na área e também em Neuropatia. Coordenei ativamente para a dispensação de gliclazida na rede em 2000; análogos de insulina ultrarrápida desde 2004 e de longa ação (glargina em 2005); Sistema de Infusão Contínua de Insulina (SICI, “bomba”) em 2008; dispensação de palmilhas e calçados, dentre outros. O grande investimento foi a capacitação de profissionais de saúde. Infelizmente, ações na contramão da história estão minando as boas políticas existentes no Distrito Federal para as pessoas com diabetes, inclusive com o desmantelamento da Coordenação Central de Diabetes, enfraquecendo ações educativas.

A Endocrinologia lida com várias doenças complexas desde o envolvimento neuroendócrino, tireoide, déficit de crescimento. Mas, é inquestionável que diabetes e obesidade detêm um foco especial por terem também impacto epidemiológico crescente e serem doenças crônicas que se associam a complicações graves quando não controladas, sobretudo o diabetes. Infelizmente, os pacientes são alvo de intervenções frequentes e inadequadas por médicos não especialistas e isso tem se acentuado nos últimos tempos. Este é outro grande desafio.

Fui eleita Presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes em 2015. O lema da gestão 2018-2019 é EDUCAR. APOIAR. TRANSFORMAR. Pretendemos dar continuidade aos projetos implantados e aperfeiçoar aqueles que requeiram ajustes. Muitos membros da diretoria eleita têm histórico importante na docência e na assistência em saúde pública, essa experiência certamente influenciará na linha de ação que terá importante foco em Educação. Pretendemos reforçar a integração entre os Departamentos da SBD e consolidar o avanço nas ferramentas de comunicação disponíveis; investir em Advocacy, estreitando a relação com a ADJ Brasil e FENAD, como também com os órgãos públicos e outras instituições para impulsionar medidas preventivas e melhorar as condições de tratamento. Por outro lado, parcerias com projetos internacionais já estão consolidadas e destacaria ampliar as ações do Step by Step (Neuropatia e Pé Diabético); atividades em maior escala com a Worldwide e a World Diabetes Foundation; o Projeto Prevenção de Hipoglicemia, adaptado de um modelo do Reino Unido e conduzido pelo colega e amigo Dr. Simon Heller. Além disso, projetos regionais que podem e devem ser estendidos como capacitação de professores para o Diabetes nas Escolas, que tem sido destaque em Belo Horizonte; replicar material educativo do Instituto da Criança com Diabetes de Porto Alegre; avançar no Diabetes sem Fronteiras; Estudo de Retinopatia; formação do Grupo Brasileiro de Tecnologias no Tratamento do Diabetes (com destaque para sistemas de infusão contínua de insulina), dentre outros.

Minha expectativa está pautada no trabalho em equipe e buscando Integração via a Educação, avançando no Apoio aos projetos e assim, alcançar a Transformação de como devemos atuar em prol das pessoas com diabetes. A maior expectativa é concretizar a maior parte dos nossos planos e avançar para consolidar a SBD como uma das sociedades científicas de diabetes de grande importância no cenário global.

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