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Convivência com o Diabetes em Portugal, Itália e Holanda. Veja a experiência de Ana Paula Camargo!

Uma Brasileira na EuropaANA paula post

Ana Paula Camargo

Um pouco além dos 40 anos de idade e com diabetes há 18 anos, vivi momentos de grande mudança na vida. Mãe de duas jovens e divorciada após um casamento de 20 anos, sentia ainda com energia e pronta para experienciar outros desafios.

Em conversa com amigos, surgiu a possibilidade de voltar a estudar, só que dessa vez seria em grande estilo. Cursar Mestrado em Portugal! Minha primeira preocupação foi direcionada para busca de informações a fim de manter o controle da doença e me sentir segura no caso de ocorrer uma emergência. Para minha surpresa, a resposta foi prontamente satisfatória. O Sistema Público de Saúde Português informou que disponibilizaria não só médicos e enfermeiros, mas também o suprimento de todas as medicações necessárias gratuitamente. Frente a tantos incentivos quer de amigos, familiares, lá fui eu com destino à Portugal!

Minha vida nesse país foi fantástica. Passado um ano posso dizer que pude me reencontrar, me conhecer, refletir sobre a vida, sonhar e projetar o que realmente queria. Precisei ter muita coragem para enfrentar os dias de solidão, apoiada em brasileiros que, assim como eu, buscavam novos horizontes e assim, podíamos partilhar da angústia de viver longe de casa e da família. Sem dúvida, tive a sorte de conhecer pessoas preciosas e com elas, aprendi a respeitar o povo português, apreciar suas tradições e entender que as diferenças culturais são enormes, mas nem por isso são ruins. A culinária portuguesa me encantou de tal forma que senti alteração na glicemia e aumento de peso; os doces feitos com ovos são incríveis e a curiosidade em saborear tudo trouxe transtornos momentâneos no diabetes. Minha conduta foi partir para a contagem de carboidratos aliada à prática de atividade física. Fiz contato com um Projeto chamado Fruta Feia, o qual distribui frutas, verduras e legumes que os mercados não aceitam pelo fato da aparência não ser tão boa, mas deliciosos e por um preço maravilhoso, já que os gastos são em euros! Imaginem que eu adquiria toda semana uma cesta de três quilos de vegetais e frutas variadas por apenas três euros. Desta forma, não poderia haver desculpas para não comer de forma mais saudável e ainda ecologicamente correta.

A vida na Europa se tornava cada vez mais um sonho do qual não queria acordar, mas havia ainda um entrave que teria de ser transposto. Por ser estrangeira, sofria ainda algumas restrições e isso me levou a procurar minhas origens italianas e dar início à busca da história dos meus antepassados… Parto dessa vez para viver na Itália que, com certeza se tornou minha segunda casa.

Foram meses maravilhosos e inesquecíveis. Fiquei fascinada pelo clima, costumes e principalmente pela culinária – tudo é tão gostoso e convidativo que é de “surtar”. Para pessoas com diabetes, conviver com mesa farta de carboidratos não é tarefa nada fácil. Levou um tempo para me readaptar e saber analisar as melhores escolhas. As pizzas, focaccias, massas, molhos e principalmente os doces (cannolis, folhados) passaram a segundo plano depois que notei mudança no formato do meu corpo; o aumento de peso era visível. Imergi então na gastronomia do Mediterrâneo, regada de surpresas e memórias do que já havia apreciado na mesa dos meus avós, tios e principalmente da minha mãe.

Uma amiga brasileira casada com um holandês, em uma das visitas à Holanda, me apresentou um amigo que, após alguns meses revelou-se o sonhado homem da minha vida. Nunca imaginei viver o que estava acontecendo; o amor e a felicidade contribuíram para o meu controle glicêmico, esculpiram um corpo invejável e um sorriso no rosto contagiante. Sem dúvida, um momento sublime durante essa rica experiência de vida na Europa.

Acabado o Mestrado no Porto, meus planos para o Doutorado foram mudados, estudo à distância, já que decidimos morar juntos na Holanda. Portanto, agora noiva e sonhando com o nosso casamento. Viver nesse país é um encanto! Estamos em contato direto com os animais por toda a parte, as pessoas são educadas e o respeito se faz presente em todos os setores, nas ruas, no trânsito, na relação com os vizinhos, no mercado. Andar de bicicleta se faz necessário e ajuda a perder peso e melhorar o controle glicêmico, o qual ainda não consegui equilibrá-lo pelo fato da culinária holandesa ser repleta de salsichas, batatas fritas com maionese e croquetes crocantes com mostarda, acompanhados de uma boa cerveja produzida por eles. Passei a um maior rigor na contagem dos carboidratos e, na verdade, tenho de corrigir com insulina rápida em alguns momentos, mas o que preciso é escolher melhor o que consumo.

Quanto ao futuro, meu maior desafio é a vida. Aprendi com os 25 anos de diabetes que, em um único dia aflora um novo acontecimento e, com isso, devo também estar em constante transformação, alterando doses, reajustando medicamentos, identificando sintomas e acima de tudo, preciso agradecer pelo fato de estar viva e com energia para projetar sucessos futuros em lugares encantadores ao lado de quem realmente amamos.

Vanessa Pirolo

Jornalista, criadora do blog convivência com diabetes, tem diabetes desde o seus 18 anos, e redatora do Portal DBCV. Quer me conhecer melhor? Então, clique aqui!

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