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Dicas importantes antes de se submeter a qualquer procedimento odontológico!

O Diabetes e a Saúde Bucal

Dra. Eliana Pirolo*

Atualmente, a ciência tem observado que os processos inflamatórios estão envolvidos em boa parte das doenças. Indivíduos com diabetes mellitus não controlados ou que se encontram obesos com síndrome metabólica, também estão “inflamados” pelo aumento da produção de citocinas pró-inflamatórias. Foi descoberto recentemente que as células de gordura (adipócitos) produzem no seu interior substâncias conhecidas como adipocinas, sendo algumas delas consideradas pró-inflamatórias como: a Inter leucina 6, TNF alfa e a leptina e, portanto, estão mais propensos a inúmeras patologias da área odontológica, como em processos inflamatórios agudos e crônicos com tendências à supuração (abscessos), gengivites, periodontites, no retardamento das cicatrizações e consolidação de fraturas.

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Da mesma forma que houve um grande avanço científico no diagnóstico e prognóstico das patologias, a odontologia também evoluiu. Fazendo uma retrospectiva, constata-se que esta ciência passou por diversas fases. Os cirurgiões dentistas preocupavam-se inicialmente com o alívio da dor, tratando a lesão cariosa e suas consequências, com a doença periodontal e com os distúrbios das maloclusões dentárias, porém com uma visão limitada e isolada dos demais órgãos do corpo, enfatizando a doença em detrimento da saúde. Hoje, atuam em um grande sistema, que é complexo, indivisível, interligado: o Sistema Estomatognático. Os dentes, língua, ossos, maxilares, músculos, vasos sanguíneos, complexo neural e ATM fazem parte desse sistema que realiza funções vitais como mastigação, deglutição, respiração, não esquecendo também da fonação, de extrema sensibilidade e importância para a manutenção de todo o equilíbrio biológico do indivíduo.

Sabemos que é cada vez maior o número de pacientes com diabetes que procuram por tratamento odontológico diferenciado e o cirurgião dentista, como profissional da área de saúde, não pode ficar alheio a esse contexto, devendo estar apto em conhecimentos em sua formação para que juntamente com o médico possa compor a visão integral do paciente promovendo o seu equilíbrio.

Qualquer que seja o procedimento odontológico a ser realizado em pessoas com diabetes, o primeiro passo cauteloso é realizar uma anamnese minuciosa para saber do controle glicêmico. Se estiver equilibrado, ótimo! Caso a pessoa relate que é comum episódios de hipoglicemia, fique atento às assintomáticas; pessoas com diabetes, há muitos anos e que fizeram muitos quadros hipoglicemiantes, acabam por perder a sensibilidade em perceber quando estão hipoglicêmicas. Isto ocorre devido às alterações hormonais; na medida em que o indivíduo vai tendo mais hipoglicemias, ele não consegue liberar os hormônios contrarreguladores como a adrenalina e epinefrina, que sinalizam sintomas de fome, sudorese, taquicardia e que possibilitam à pessoa perceber que está com hipoglicemia e tomar providências para corrigir tal estado.

Quanto à anestesia odontológica, apesar da segurança atualmente garantida pelos anestésicos, merece especial cuidado pelo cirurgião dentista a seleção e dosagem dos mesmos, pois pacientes com diabetes mellitus, esclerose múltipla e àqueles que fazem tratamento quimioterápico apresentam um risco mais alto de toxicidade sistêmica por eles causado.

Da mesma forma, é do conhecimento da prática odontológica que em pessoas com problemas sistêmicos não controlados, hipertensos, cardíacos, com diabetes e sensibilidade a sulfitos está contraindicado o uso de anestésicos com vasoconstrictor. Porém, amplas pesquisas foram realizadas. Segundo a American Dental Association e a American Heart Association, chegou-se ao seguinte consenso: “quanto ao uso dos vasoconstrictores, quando os benefícios superarem os riscos, os mesmos devem ser utilizados. Sem vasoconstrictor, o anestésico pode não ser eficaz; além de o seu efeito passar mais rapidamente, a dor resultante pode levar o indivíduo ao estresse, fazendo com que haja liberação de catecolaminas endógenas em quantidades muito superiores àquelas contidas em tubetes anestésicos e, consequentemente, mais prejudiciais à saúde”.

Dependendo da intervenção realizada, pode ser prescrito ao paciente o uso de analgésicos, antibióticos e anti-inflamatórios, sendo que estes últimos na versão hormonal (corticosteroides) por desequilibrarem a glicemia causando o seu aumento, estão contraindicados às pessoas com diabetes mellitus, devendo as mesmas utilizarem-se dos anti-inflamatórios não hormonais.

*Dra. Eliana Pirolo é Cirurgiã Dentista Homeopata, Mestre em Ciências pelo Departamento de Ginecologia Endocrinológica da Universidade Federal de São Paulo – Escola Paulista de Medicina e Doutoranda pelo Departamento de Ginecologia Endocrinológica – Setor de Climatério da UNIFESP/EPM.

Vanessa Pirolo

Jornalista, criadora do blog convivência com diabetes, tem diabetes desde o seus 18 anos, e redatora do Portal DBCV. Quer me conhecer melhor? Então, clique aqui!

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