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Hormônios que entram em ação com a hipoglicemia

4Quando somos acometidos pelos sintomas da hipoglicemia, não sabemos os motivos de termos estes sinais característicos. Segundo Dr. Flavio Moutinho, endocrinologista do Hospital Federal Cardoso Fontes, no Rio de Janeiro, “há duas categorias de sintomas: “hiperadrenérgicos, relacionados à secreção de adrenalina (tremor, sudorese, palpitação, pele fria); e neuroglicopênicos, relacionados à falta de glicose no sistema nervoso central, que inclui dor de cabeça, irritabilidade, crises convulsivas, perda da consciência”.

Estudo recente mostra que a hipoglicemia afeta a função cognitiva. De acordo com Dr. Flavio, “o sistema nervoso central só gera energia a partir da queima de glicose. Então, eventos seguidos de falta de energia podem levar à morte dos neurônios. O risco é maior em pessoas idosas, pois além da hipoglicemia, já podem apresentar outras comorbidades e complicações crônicas do diabetes, que também podem afetar o sistema nervoso central”.

Pensando nisso, o que ocorre no corpo quando sentimos os sintomas de queda de açúcar no sangue?

“Quando a glicemia de uma pessoa com diabetes cai abruptamente, não há tempo de o organismo tomar as medidas necessárias. Mas se a glicemia diminui aos poucos, o corpo é capaz de liberar hormônios contra-insulínicos, como a adrenalina e o cortisol, antes de ela realmente baixar para níveis hipoglicêmicos”, explica o endocrinologista.

“A adrenalina provoca tremor, sudorese, palpitação, pele fria, hipervigilância (prestar atenção em tudo ao mesmo tempo). Episódios repetidos de taquicardia podem precipitar doenças cardíacas, como arritmias. Quando a pessoa está dormindo, há o risco de não acordar e a glicose continuar reduzindo. Sintomas como não responder aos chamados e/ou ter crises convulsivas são mais comuns nesse período”, adiciona Dr. Flavio.

Outro hormônio que entra em ação é o cortisol, o qual, em excesso por sucessivas respostas hormonais a hipoglicemias, pode provocar ganho de peso e aumento da pressão arterial. “Outro hormônio importante que entra em ação é o glucagon, com efeito contra-insulínico por natureza. Tem ação sobre os centros da fome e saciedade, sobre o sistema gastrointestinal e sobre o metabolismo de carboidratos, lípides e proteínas, sempre de forma antagônica à insulina”, complementa o endocrinologista.

Por último, há a ação do hormônio do crescimento (GH). “É responsável por disponibilizar energia e matéria-prima para permitir o crescimento. A sua secreção é maior durante à noite, quando a atividade muscular está diminuída”, completa Dr. Flavio.

Pensando nisso, o médico faz seu último comentário: “Frente a uma tendência à hipoglicemia, o efeito dos hormônios contra-insulínicos é sinérgico, ou seja, todos são liberados juntos para impedir o evento indesejado, como a queda da glicose. Isso porque enquanto outros órgãos podem gerar energia a partir de outros substratos, o sistema nervoso central só consome glicose. Então, em caso de falta de glicose, ele é o primeiro a sofrer, e o seu sofrimento pode ser grave. Por isso, ao menor sinal de hipoglicemia, faça a automonitorização, para evitar complicações”!

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