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A Importância Materna na Superação do Diabetes

Bruno Helman

Dedicamos o mês de maio à entrevista com Bruno Helman, 22 anos, estudante de Relações Internacionais pela PUC-SP que há quatro anos foi diagnosticado com diabetes tipo 1 e sua mãe Nathalie Helman.

Bruno relata que “ser diagnosticado com uma doença que, praticamente nada conhecia sobre ela foi extremamente angustiante e assustador. O primeiro mês foi de dificílima aceitação e, aos poucos decidi que não deixaria o diabetes me derrotar e, ao contrário, eu a derrotaria! Meus pais ainda que muito abalados, me apoiaram e ajudaram para que eu suportasse a minha dor e lembro que eles se culpavam e perguntavam o que eles poderiam ter feito para evitar o meu diagnóstico? Desejavam que a maldita doença se manifestasse neles e não em mim”.

Nathalie declara que “no início a aceitação foi muito difícil, passei por muitas fases, negando o diagnóstico, achando que devia haver algum engano…Depois pensei, vamos reverter essa situação. Um milagre vai acontecer. Foi aí que decidimos buscar informações, falamos com médicos e nutricionistas. De posse de esclarecimentos, consegui entender a real situação que meu filho se encontrava. Isso colaborou para o meu sofrimento, mas ao mesmo tempo esclareceu que o diabetes não o impediria de realizar os seus sonhos e de ser feliz desde que continuasse a cultuar hábitos saudáveis e fosse impregnado de coragem, responsabilidade e o forte desejo de superação”.

Quanto ao aprendizado que o diabetes trouxe às suas vidas, eles assim responderam “Entendi que ter uma doença autoimune vai muito além de viver entre o limite da vida e o da morte. Significa construir uma relação de autocuidado e respeito com o seu corpo físico, mental e espiritual. Significa viver todos dias intensamente, aproveitando os momentos de glória e aprendendo com as dificuldades e com isso, aprendendo a apreciar os pequenos momentos”, conclui Bruno.

Nathi, como é carinhosamente chamada, aprendeu com o diabetes sobre a finitude da vida e as possibilidades que esta constatação abre em nossas vidas. “Temos de cuidar dessa máquina tão perfeita que somos, alimentando nosso corpo com alimentos saudáveis e preenchendo nossos pensamentos com questões importantes para assim fortalecer a nossa alma e, nessas questões, meu filho faz de maneira brilhante, muito melhor do que eu, que atualmente estou com sobrepeso”, comenta a carinhosa mãe terminando a sua resposta com um iluminado sorriso.

Ainda a mãe-pâncreas fez questão de ressaltar que “foi o Bruno que me ajudou a superar o impacto do diagnóstico; isso foi constatado quando apenas há três meses de ter ciência da doença, ele fez uma viagem para a Europa, carregando um mochilão com insumos e um desejo de desbravar o mundo. Nesse momento pensei – Esse é o meu garoto, ele é incrível! Superação é a palavra certa que aconteceu com ele”.

Falamos muito nas matérias anteriores o que mudou na relação mães-filhos após o diagnóstico. Quanto a eles, Bruno ressalta que “aprendemos a confiar um no outro. Minha mãe sempre foi superprotetora, mas entendeu que teria de me dar mais autonomia e liberdade para cuidar do meu próprio tratamento. Apesar de ser muito presente no meu dia-a-dia, ao invés de cortar minhas asas e me colocar numa gaiola, ela me incentiva a voar cada vez mais alto, mas sempre com reponsabilidade e consciência das minhas escolhas”.

Quanto à Nathi, “Posso dizer que nossa relação amadureceu bastante, sempre o protegi por amor e medo que algo pudesse acontecer e, realmente aconteceu – o diabetes. Eu não pude fazer nada e nem precisou, meu filho saiu à frente assumindo toda a responsabilidade e assim o fez, focando na saúde e não na doença. Essa atitude me fez relaxar, pois sei que ele é um garoto extremamente confiável. Confiar, com-fiar, “fiar com” – a arte de tecer juntos o presente e o futuro e é exatamente isso o que ocorre hoje. Nossa relação é de muita confiança, a certeza de que ele é um grande homem que está pronto para alçar altos voos.

Finalizando a matéria, Nathalie Helman deixa a seguinte mensagem a todas as mães-pâncreas “O diabetes não é uma doença impeditiva para que as pessoas alcancem seus objetivos. Temos de adquirir conhecimentos para aprendermos a lidar com ela, dessa forma transmitiremos informações corretas para que nossos filhos se sintam seguros e responsáveis para aderirem ao tratamento e acima de tudo que possamos ser mestras na arte de cuidar e amar incondicionalmente, peças fundamentais na convivência e na superação da doença”.

Grato por tanto amor recebido, Bruno parabeniza e deixa sua mensagem a todas as mães que têm filhos com diabetes mellitus “O segredo para uma vida de qualidade, não apesar da doença e sim com ela é buscar uma vida feliz e saudável e vocês, mães-pâncreas, são peças fundamentais dessa luta contínua e doce”.

Vanessa Pirolo

Jornalista, criadora do blog convivência com diabetes, tem diabetes desde o seus 18 anos, e redatora do Portal DBCV. Quer me conhecer melhor? Então, clique aqui!

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