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Lua de Mel com Diabetes

A fase de Lua de Mel do Diabetes pode sugerir a ideia de cura da condição, mas ela não condiz com a realidade.

“O Alexandre já tinha a irmãzinha com diabetes há uns dois anos. Um dia, enquanto almoçava para ir à escola, levantou-se várias vezes para fazer xixi. Achei estranho e pedi a ele que na próxima vez que fosse ao banheiro, que pudesse urinar na fitinha, forma de medir a glicemia na época. Quando trouxe a fitinha, o resultado deu positivo”, relata Graça Camara, psicóloga, mãe de Alexandre.

“No mesmo dia, levei-o a um laboratório e colheu uma glicemia pós prandial, que deu em torno de 200 mg/dL. Falei com o endócrino que sugeriu que o exame fosse realizado em jejum, o resultado deu em torno de 90 mg/dL. Em seguida, foi feito uma curva glicêmica acompanhada pelo endócrino. O resultado foi um perfil de intolerância à glicose. A orientação recebida foi de uma dieta com restrição de açúcar e acompanhamento de perto, sem nenhuma medicação e nem insulina. Passado em torno de um ano, ele começou a apresentar todos os sintomas, muita urina, fome excessiva e emagrecimento brusco e foi quando o endócrino me disse que achava que a Lua de Mel havia passado e o diagnóstico de diabetes veio à tona”, complementa Graça.

Mas o que é a fase de Lua de Mel? Segundo o endocrinologista Dr. Daniel Giannella Neto, “o mais comum é ocorrer entre 6 a 24 meses do diagnóstico de DM1, provavelmente, devido a um processo imunológico de reparação tecidual da ilhota pancreática. Pode durar em média de um a 12 meses”. Ou seja, os pacientes ainda têm a produção de insulina e o controle da glicemia é mais estável.

Os exames, que diagnosticam essa fase, são a determinação do peptídeo C e de autoanticorpos no sangue periférico podem ajudar na avaliação da reserva pancreática remanescente. Os médicos podem identificar essa fase por meio da diminuição das necessidades de insulina e, muitas vezes, pelo aumento de episódios hipoglicêmicos.

Não há um tratamento específico nesses casos. “É aconselhável manter baixas doses de insulina para não estimular falsas esperanças e realizar automonitorização glicêmica frequente. Em alguns casos, o médico chega a suspender o hormônio, como no caso do Alexandre. Há casos que o acometimento autoimune não foi capaz de destruir uma porção muito significativa de ilhotas. Essas situações ocorrem nos casos de LADA (Late Autoimmune Diabetes in Adults) em que há reserva pancreática suficiente para o paciente se manter controlado com antidiabéticos orais, mas dificilmente ficará livre da insulinoterapia em algum ponto da evolução do quadro. São relatados casos de pacientes submetidos ao transplante de medula, logo após o diagnóstico do DM1, que ficaram mais de três anos com reserva pancreática adequada e sem uso de insulina”, aponta Dr. Daniel.

“Já existem grupos de investigadores que estão tentando conhecer melhor o processo imunológico relacionado ao período de Lua-de-Mel com o objetivo de desenvolver terapias que possam manter a reserva pancreática por um período mais longo ou mesmo definitivamente. Agora é só esperar os desdobramentos dos estudos para que futuramente possamos ter também a cura do diabetes”, finaliza Dr. Daniel.

Vanessa Pirolo

Jornalista, criadora do blog convivência com diabetes, tem diabetes desde o seus 18 anos, e redatora do Portal DBCV. Quer me conhecer melhor? Então, clique aqui!

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