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Manual para a Prática de Esportes às Pessoas com Diabetes

A Forma Corporal e a Suscetibilidade do Adoecer

Dra. Eliana Pirolo*

A ideia de que a cada tipo morfológico corresponde um modo de ser especial remonta há milênios. Hipócrates, considerado o “Pai da Medicina” no século V a.C reconheceu predisposições a doenças segundo a morfologia (forma), definindo dois biótipos fundamentais, denominando-os de habitus ptísicos e habitus apopléticos. O primeiro encontrado em indivíduos magros e altos (longilíneos), com tórax alongado e achatado no sentido anteroposterior, predisposto à tuberculose e o segundo, brevilíneo (baixa estatura), predisposto à apoplexia.

Em Medicina, existe a tendência universal de estabelecer uma relação entre a morfologia e a função como meio para conhecer a constituição de um indivíduo.11

Pode-se definir a constituição como o conjunto dos caracteres anatômicos e funcionais de um indivíduo a partir de um dado momento de sua vida. É fundamentalmente determinada pela hereditariedade, onde três elementos a compõe: o hábito, a morfologia dos órgãos internos e sua capacidade funcional. É a parte imutável do organismo, hereditária e consequentemente fixa. Tem características morfológicas, fisiológicas e psíquicas e uma evolução que permite fazer uma verdadeira antecipação sobre o grupo de doenças às quais está predisposta.

O hábito é a forma externa do corpo que, alguns autores consideram como elemento fundamental: consta da estatura e relações recíprocas das diversas partes, como amplitude do tronco e comprimento das extremidades, forma e volume do crânio e da face, relação entre tórax e abdômen, circunferência torácica e abdominal; aspecto da pele e acessórios, particularmente do sistema piloso no seu modo de distribuição e quantidade na cabeça, sobrancelhas, axila, tronco e região genital, bem como do formato e aspecto das unhas. O tecido adiposo é de especial importância não só quanto à quantidade e qualidade, como também o seu modo de distribuição, pois cada idade tem o seu peculiar “depósito” de gordura que, por sua vez é diferente em ambos os sexos; deve-se observar como está distribuído nos braços, tórax, abdômen superior e inferior, no quadril, nádegas, coxas e pernas. O sistema esquelético deve ser estudado em relação à estatura e na sua estrutura, sendo esta parte realizada por meio dos raios X; neste estudo inclui-se o sistema muscular não só em relação à massa como também ao tônus.

Numerosos autores têm estudado o biótipo; somam 31 desde que Hipócrates definiu os tipos extremos tísico e apoplético. A partir daí a Medicina tem se preocupado em estabelecer tipos constitucionais básicos de acordo com o aspecto físico ou esquelético, com os caracteres psicológicos e o equilíbrio endócrino dos mesmos.

Estudo publicado recentemente na revista Journal of the American Medical Association (JAMA) pelo pesquisador sênior Sekar Kathiresan, professor associado de Medicina na Harvard Medical School afirma que pessoas, geneticamente predispostas a armazenar gordura na barriga ou ter um tipo de corpo em formato de maçã, podem enfrentar um maior risco de diabetes tipo 2 e de doença cardíaca. Veja mais detalhes deste estudo aqui, publicado pela Revista Isto É: http://istoe.com.br/corpo-em-formato-de-maca-pode-aumentar-risco-de-diabetes-estudo/

Como já citado anteriormente, as pessoas variam de forma diversa na distribuição de gordura corporal – algumas delas têm mais gordura no abdômen, o que chamamos de adiposidade abdominal e outras no quadril e coxas.

Segundo Sekar “Nós testamos se a predisposição genética para a adiposidade abdominal estava associada com o risco de diabetes mellitus tipo 2 e de doença cardíaca coronariana e descobrimos que a resposta foi um firme sim”.

Pesquisas anteriores identificaram que pessoas com genes que predispõem a uma maior relação cintura-quadril também apresentavam níveis mais altos de lipídeos, insulina, glicose e maior pressão sistólica, assim como um maior risco de diabetes tipo 2 e de doenças cardiovasculares.

Esses resultados ilustram a importância do conhecimento das constituições e de suas possíveis formas de adoecer para usá-lo juntamente com os outros recursos propedêuticos na avaliação do diagnóstico, prognóstico e na profilaxia de afecções em geral com a utilização de medidas preventivas como hábitos de higiene pessoal, quer através de atividade física e dieta alimentar específica para cada grupo constitucional.

*Dra. Eliana Pirolo é cirurgiã dentista, especialista em Homeopatia, com Mestrado e Doutorado no Departamento de Ginecologia da Disciplina de Endocrinologia Ginecológica da Universidade Federal de são Paulo – Escola Paulista de Medicina (UNIFESP – EPM).

Vanessa Pirolo

Jornalista, criadora do blog convivência com diabetes, tem diabetes desde o seus 18 anos, e redatora do Portal DBCV. Quer me conhecer melhor? Então, clique aqui!

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