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Nós controlamos os dispositivos eletrônicos ou eles nos controlam?

eletronicoQuantas vezes não passamos na rua, sentamos em restaurantes e vemos pessoas teclando no celular, Iphone ou Smartphone, ou até mesmo utilizam os tablets, Ipads…quem nunca levou o celular para perto da cama e, antes de dormir, dá uma olhadinha no Facebook ou nos emails? E muitas vezes o que deveria ser uma visualização rápida torna-se longa e “rouba” o tempo do descanso?

Esta mudança do comportamento das pessoas reflete o progresso da era da informação e gera uma dependência tão grande pelos aparelhos eletrônicos, que muitas consequências já estão sendo estudadas. Um estudo canadense divulgado recentemente mostra que aparelhos domésticos, como televisão, carro e computador são comuns em países de alta renda e seu uso tem sido associado à obesidade e ao diabetes tipo 2, devido à redução da atividade física, aumento do tempo sentado e ao acúmulo de ingestão calórica durante o tempo sentado.

Com base neste estudo que identificou que a televisão é uma das protagonistas da elevação da obesidade do diabetes, o endocrinologista e vice coordenador do Departamento de Atividades Físicas da Sociedade Brasileira de Diabetes, Edson Perrotti, explica  mais detalhes sobre a influência destes e de outros dispositivos. “É bastante lógico inferir que o uso abusivo de equipamentos eletrônicos comotabletsesmartphonestambém possam propiciar este ganho de peso e suas consequências de piora da qualidade de vida, favorecendo à maior incidência de doenças, dentre elas o diabetes tipo 2″.

“Existem evidências de que o uso excessivo de dispositivos como computadores,smartphones e tabletspode causar também um efeito semelhante à adição ou dependência, consequência esta que pode reduzir cada vez mais a realização de atividades físicas por manter o indivíduo “preso” ao dispositivo, bem como por reduzir o desejo pela prática de exercícios programados ou espontâneos. Fato bastante comum entre crianças e adolescentes, também evidentes com a prática de vídeos games, em que permanecem sentados por tempo prolongado”, alerta Dr. Edson.

Esta situação, além de outros problemas gerados pelo uso excessivo da tecnologia, está se tornado cada vez mais comum em pessoas com diabetes também. “Tanto para indivíduos com tipo 1 ou 2, este uso abusivo dos dispositivos domésticos utilizados na pesquisa e a extrapolação dos dados obtidos, fazem crer que para as pessoas com tipo 2, o sedentarismo e a hiperalimentação podem tornar mais difícil o controle da doença, por piorar a resistência à ação da insulina, principal fator gerador dessa doença. Já para o tipo 1, a utilização excessiva destes dispositivos pode também gerar maior dificuldade para o controle da glicemia, pois é bem estabelecido em diversos estudos que a atividade física regular ajuda nesse controle, bem como na necessidade de menores quantidades de insulina”, detalha o endocrinologista.

Para as pessoas que não utilizam estes recursos com bom senso, Dr. Edson pontua “alguns desses dispositivos e vídeo games podem gerar bastante ansiedade e até mesmo a resposta endócrino metabólica ao estresse, com produção de hormônios como adrenalina e cortisol, que favorecem o aumento da glicemia e consequentemente necessitam de maiores quantidades de insulina, o que pode dificultar o tratamento do diabetes tanto tipo 1 como do tipo 2, bem como podem prejudicar a qualidade do sono se forem praticados próximo ao horário de dormir”.

Por isso a recomendação é “não existem definições específicas quanto à quantidade de horas e melhor horário ou horário limite para a utilização desses dispositivos, sendo que devemos buscar compreender que os carros, computadores,smartfones, tabletse televisores são equipamentos criados para nos auxiliar e divertir, mas que não devem ser utilizados de forma a nos prejudicar. Para isso, é necessária uma observação crítica individualizada se cada um de nós tem, no seu dia-a-dia, dedicado algum tempo para praticar exercícios, conversar cara a cara com nossos amigos e até mesmo parentes, pais, e filhos”, sugere o endocrinologista.

Por isso, o Dr. Edson Perrotti nos deixa uma mensagem para refletirmos: “a utilização dos dispositivos em excesso tem nos tornado menos humanos e sensoriais, fazendo-nos robotizar um pouco, o que além de evidentemente prejudicar a saúde física, vem progressivamente prejudicando a saúde psicológica e social, com grande impacto para as pessoas com diabetes ou com tendência para o desenvolvimento do diabetes”. Será que não está na hora de pensarmos se estamos tendo bom senso ao utilizar estas tecnologias? A resposta é só sua!

Vanessa Pirolo

Jornalista, criadora do blog convivência com diabetes, tem diabetes desde o seus 18 anos, e redatora do Portal DBCV. Quer me conhecer melhor? Então, clique aqui!

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