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Pessoas com diabetes tipos 1 e 2 na mesma casa! Como o cuidador deve agir em cada um dos casos!

Como cuidar de membros com diabetes tipo 1 e tipo 2 na mesma família?

*Graça Maria de Carvalho Camara

Hoje já não é raro encontrarmos uma família grande vivendo na mesma casa, tendo ao mesmo tempo uma criança com diabetes tipo 1 e um outro membro com diabetes tipo 2. Muitas vezes o cuidador tem muita dificuldade em gerenciar o tratamento de ambos.

O cuidador precisa diferenciar as necessidades destes dois tipos de pessoas com diabetes, pois uma criança se adapta a mudanças de vida bem mais facilmente do que um adulto, em geral com mais de 40 anos de hábitos já enraizados; um garoto ou mesmo adulto com diabetes tipo 1 não produz insulina e, portanto, tem sintomas quando sua glicemia está alta pela falta desta ou baixa pelo excesso da mesma. Já a pessoa com diabetes tipo 2, na maioria dos casos, continua a produzir a insulina, porém apresenta mais resistência à mesma, o que traz como consequência glicemias alteradas sem sintomas e não valoriza muito esta alteração, pois as complicações costumam aparecer lentamente.

Outra diferença é que a pessoa com tipo 1 pode apresentar outra doença autoimune, além do diabetes, o que requer outros cuidados. Por sua vez, a pessoa com tipo 2 em geral tem síndrome metabólica e precisa controlar as gorduras (por ter colesterol alterado), tem de manter maior cuidado com o sal nos alimentos, pois é hipertensa, dentre outras comorbidades, que tendem a aparece com o avançar da idade.

Apesar das diferenças, eles também têm suas semelhanças no tratamento, a alimentação das pessoas de ambos os tipos de diabetes deveria ser a mesma, inclusive de toda a família, ou seja, fracionada e equilibrada de acordo com a condição de idade e saúde; ambos devem praticar algum exercício físico ainda de acordo com a idade, a saúde e as preferências.11  1

Independentemente das necessidades o empoderamento de ambos para o autocuidado deve ser prioritário, a família no geral deveria adquirir hábitos saudáveis de forma a promover uma melhor qualidade de vida a todos além de ser solidária com as pessoas com diabetes, com as quais convive. Afinal,todos saem ganhando, quando compartilham dos mesmos hábitos.

Outra dica especial é com relação às cobranças sobre “falhas” no tratamento. Devemos considerar que todos têm dificuldades em momentos diferentes de sua vida, e que para que o diabetes seja controlado, na maioria do tempo, suas rotinas devem ser incorporadas dentro da família, de forma que haja harmonia e compreensão.

Além disso, independentemente das necessidades das pessoas diagnosticadas com diabetes, nunca devemos esquecer as necessidades do cuidador. As pessoas com diabetes não devem ser colocadas em primeiro lugar e sim no lugar devido de membro da família que como todos os demais devem viver em harmonia e com qualidade.

Por isso, para todas as pessoas deixo uma mensagem especial: um grande número de famílias tem alguém com diabetes muito próximo. É preciso compreender o diabetes, a pessoa que tem essa condição e aceitar como mais uma diferença entre os diferentes membros. As famílias têm filhos com temperamentos distintos, cor de olhos e cabelo diferentes, uso de óculos ou não, alergias e/ou outras dificuldades e características… O diabetes é apenas um elemento nas diferenças individuais no geral.

*Graça Maria de Carvalho Camara é psicóloga, com especialização em Educação em Saúde pelo Centro de Educação de Ensino Superior em Saúde da UNIFESP, Coordenadora do Projeto Educando Educadores da ADJ/SBD/IDF e Membro do Conselho Consultivo da ADJ Diabetes Brasil.

Vanessa Pirolo

Jornalista, criadora do blog convivência com diabetes, tem diabetes desde o seus 18 anos, e redatora do Portal DBCV. Quer me conhecer melhor? Então, clique aqui!

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