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Será que você tem predisposição a doenças autoimunes? Confira matéria aqui!

Predisposição a Doenças Autoimunes

Doença autoimune é uma condição anômala que ocorre quando o sistema imunológico não consegue distinguir os antígenos (corpos estranhos ao organismo) dos tecidos saudáveis. O resultado é trágico, pois o sistema imune ataca e destrói os tecidos íntegros por engano, tais como: vasos sanguíneos, tecido conjuntivo, glândulas endócrinas (tireóide, pâncreas), articulações, músculos, glóbulos vermelhos e pele, podendo também causar o crescimento anormal de um órgão como alterar a sua função.

Normalmente, os glóbulos brancos (leucócitos), produzidos na medula óssea e encontrados no sangue, ajudam a proteger o corpo, gerando anticorpos contra substâncias invasoras e nocivas conhecidas como antígenos causando a sua destruição. São exemplos: vírus, bactérias, toxinas, células cancerígenas, entre outras.

Embora ainda de origem desconhecida, acredita-se que um indivíduo possa ter uma doença autoimune se ocorrerem três requisitos básicos que colaborem para o seu aparecimento: predisposição genética para a doença, desequilíbrio das células do sistema imune e presença de um fator ambiental desencadeante.

São muitas as doenças autoimunes, dentre elas: diabetes mellitus tipo 1, esclerose múltipla, doença inflamatória intestinal, lúpus eritematoso sistêmico, artrite reumatoide, doença de Graves (hipertireoidismo de origem autoimune), vitiligo, psoríase, síndrome de Sjogren, tireoidite de Hashimoto.

Segundo Luciana Antunes de Almeida Secchi, médica endocrinologista “diabetes mellitus tipo 1 é um exemplo de doença autoimune. Quando o indivíduo tiver uma doença autoimune, por razões genéticas, tem risco de desenvolver outras doenças similares em proporção maior do que a população geral, ou seja, em relação aos que não tem nenhum diagnóstico”.

Ainda a endocrinologista nos esclarece que “para cada patologia há exames diferentes indicados para o diagnóstico. Em geral, para pessoas com diabetes tipo 1, indica-se o screening de rotina para disfunções tireoidianas autoimunes através da dosagem de TSH e eventualmente de auto-anticorpos anti-tireoidianos e para doença celíaca também através de dosagem de auto-anticorpos, o que se faz em frequência específica e tecnicamente determinada, considerando-se os riscos individuais do paciente. Para as outras doenças autoimunes não está indicada a triagem de rotina através de exames, e sim o exame clínico cuidadoso ao menos anual e atenção a sintomas sugestivos durante a anamnese em cada consulta pelo diabetes. Exames específicos só são realizados quando há suspeita clínica. Inúmeros estudos de custo/benefício considerando custos financeiros e possibilidade de iatrogenia (causar prejuízo por atitudes médicas) demonstram que a busca ativa para certas patologias não se justifica na ausência de indicação clínica”.

É importante esclarecer que “o diagnóstico, antes do desenvolvimento dos sintomas, serve apenas para o tratamento precoce, fase em que os prejuízos da doença ainda sejam poucos ou não perceptíveis. Há patologias para as quais o diagnóstico prévio da autoimunidade não vai mudar em nada a evolução da doença, como por exemplo a tireoidite de Hashimoto, mas sim apenas possibilitar a vigilância sobre a função tireoidiana e o início do tratamento em fase ainda subclínica, o que impediria que o paciente sentisse os efeitos do hipotireoidismo, mas não o impediria que a desenvolvesse”, enfatiza Drª Luciana.

Finalizando o tema explanado, a endocrinologista Luciana Antunes de Almeida Secchi nos deixa um grande alerta “Deve-se ter muito cuidado ao solicitar e interpretar exames laboratoriais. Todos têm chance de erro, que varia conforme o cuidado técnico e o tipo de exame, e nem todo exame positivo ou alterado tem importância clínica ou significa algum diagnóstico. Qualquer exame deve ser realizado apenas se indicado por um médico que de preferência conheça o caso do paciente e interpretado com a ajuda deste, considerando as características clínicas próprias do paciente e de sua fase de vida e comorbidades. Não se deve fazer exames e testes laboratoriais apenas porque se quer fazer ou ouviu falar ou ficou sabendo pela Internet, ou o vizinho fez – o prejuízo em termos de qualidade de vida e iatrogenia pode ser bem maior. As pessoas reagem de maneira diferente ao conhecimento de um exame alterado – para alguns significa perda de qualidade de vida, ainda que não haja uma doença em atividade. Há pessoas normais, sem doença alguma, que têm resultados de exames alterados. Só um médico com bom conhecimento pode dar o devido valor aos dados encontrados caso a caso”.

Vanessa Pirolo

Jornalista, criadora do blog convivência com diabetes, tem diabetes desde o seus 18 anos, e redatora do Portal DBCV. Quer me conhecer melhor? Então, clique aqui!

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