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Transplante pode ser uma opção de tratamento do diabetes! Confira a matéria na íntegra aqui!

Perspectiva para o tratamento de diabetes pode abrir mais uma porta para conquista da qualidade de vida

Sabemos que viver não é fácil, mas optar por caminhos que nos auxiliem a ter uma vida melhor e com mais qualidade é direito de todos. Quando todas as alternativas do tratamento do diabetes não funcionam, aparece uma alternativa chamada transplante.

A pessoa que escolhe esse caminho passa por momentos de emoção, medo, angústia, ansiedade, esperança e com perspectivas de viver melhor. Em geral, o transplante de órgãos consiste em um procedimento cirúrgico que busca substituir um órgão com dificuldade de funcionamento por outro que esteja em plena condição.

O primeiro transplante de pâncreas foi realizado na Universidade de Minnesota, nos EUA, em 1966. No Brasil, esse procedimento cirúrgico foi iniciado no Rio de Janeiro, em 1968 e já passou por vários aprimoramentos. Hoje, no país, já foram realizados cerca de 1.300 transplantes de pâncreas.

Mas para a escolha desse caminho, há perfis de pacientes e formas de transplante diferenciadas. Dr. Marcelo Perosa, do departamento de Hepatologia e Transplante de Órgãos do Hospital Bandeirantes, Beneficência Portuguesa e Oswaldo Cruz, comenta sobre esse tema.

“O transplante de pâncreas e rim simultâneo é indicado para pessoas com diabetes tipo 1 com insuficiência renal crônica, em fase de diálise ou pré-diálise. Já o transplante de pâncreas após o rim é recomendado para pessoas com tipo 1, já submetidas ao transplante renal”.

“Por último, há o transplante de pâncreas isolado para pacientes com tipo 1, com comportamento instável do diabetes, ou seja, com mais facilidade de ter hipo e hiperglicemia sem equilíbrio, com função renal normal, hipoglicemias assintomáticas e crises convulsivas e dependência de terceiros para conseguir sair do momento de queda de açúcar no sangue”, completa Dr. Marcelo.

Existem duas filas separadas para o transplante de pâncreas, uma para o transplante duplo de pâncreas-rim e outra para os que necessitam apenas de pâncreas. A primeira tem tempo de espera médio de três anos e a segunda, de apenas três meses.

7. ppancreasDevido à espera de três anos para fazer o transplante de pâncreas e rins, os pacientes comumente debilitam-se enquanto aguardam a chegada de sua vez e cerca de 30% a 40% falecem antes mesmo da realização do transplante. Já praticamente todos os que aguardam apenas o pâncreas conseguem chegar ao transplante, visto seu tempo de espera significativamente menor.

“Por isso, temos preferido a realização inicialmente do transplante renal, desde que o paciente disponha de doador vivo para o rim. Com esta estratégia, conseguimos fazer rapidamente o transplante renal, que é mais simples e seguido de menos complicações do que o de pâncreas, retirando o paciente da diálise e, em poucos meses, ele retorna em melhores condições clínicas e nutricionais para submeter-se ao transplante de pâncreas pós-rim. “Com esta sequência de tratamento, não temos mais perdido pacientes tanto na fila de espera como após os transplantes”, explica Dr. Marcelo.

“A sobrevida de pacientes é de cerca de 85% nos transplantes duplos e quase 100% para os transplantes apenas de pâncreas.  Mais de 80% terão o pâncreas funcionando, sem a utilização de insulina, após o primeiro ano do procedimento cirúrgico e 60% a 70%  em até cinco anos”, acrescenta Dr. Marcelo.

Mas é importante ressaltar que o paciente permanece no hospital de 10 a 14 dias e só volta às atividades rotineiras após três meses. Para a pessoa que estiver em um dos perfis citados, é necessário passar por uma avaliação com a equipe cadastrada para transplantes e ser encaminhado pelo endocrinologista e/ou nefrologista. Se a equipe de transplante confirmar a indicação do caso, o paciente é inscrito na fila estadual de transplantes.

Após a cirurgia, os pacientes passam por uma terapia com medicamentos imunossupressores que diminuem a imunidade do corpo. O pâncreas é o órgão que tem mais propensão à rejeição e precisa desses remédios em doses mais efetivas para que seus glóbulos brancos não ataquem o novo órgão. A consequência deste fato é uma maior vulnerabilidade a infecções, seguida de estabilidade ao longo de anos e meses. Mesmo com a necessidade dos imunossupressores, a qualidade de vida dos pacientes transplantados é muito superior aos que ainda aguardam pelo transplante.

Outro ponto importante é que, ao longo da vida, o paciente precisará fazer um acompanhamento médico para que possa sempre monitorar se o corpo está criando mecanismos de rejeição. Para refinar esta monitorização, o grupo do Dr. Marcelo é um dos únicos do mundo a colocar o novo pâncreas do lado direito do abdome, conectando-o à veia porta (veia que vai para o fígado do receptor) e a drenagem do suco pancreático para o duodeno do receptor. Com esta técnica, biópsias podem ser feitas com segurança através de simples endoscopias, e este cuidado promete grande melhora nos resultados dos transplantes pancreáticos nos próximos anos.

Vanessa Pirolo

Jornalista, criadora do blog convivência com diabetes, tem diabetes desde o seus 18 anos, e redatora do Portal DBCV. Quer me conhecer melhor? Então, clique aqui!

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