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Vamos conhecer as complicações na mão, geradas pela falta de controle da glicemia!

Manifestações Reumatológicas do Diabetes

Inúmeras associações entre diabetes mellitus e patologias músculo esqueléticas foram descritas, porém algumas delas apresentam vínculo causal duvidoso, citando como exemplo a maior incidência de osteoartrose em diabetes mellitus tipo 2 que pode estar vinculada à obesidade; manifestações reumatológicas como a contratura de Dupuytren, que têm prevalência aumentada em pessoas com diabetes por motivos ainda não esclarecidos e às vezes precedem o aparecimento da doença. Existem patologias que ocorrem com maior frequência em familiares que não possuem diabetes, como nos casos de acometimento do local de inserção de tendões, ligamentos ou cápsula articular no osso (espondilohiperostose).

Diante de tal complexidade, dois pesquisadores Lebiedz-Odrobina e Kay propuseram a seguinte classificação para a doença reumática: a) condições que ocorrem unicamente em diabetes mellitus (infarto muscular diabético); b) condições que ocorrem com mais frequência em diabetes mellitus (artropatia neuropática de Charcot, limitação da mobilidade articular, contratura de Dupuytren, dedo em gatilho, capsulite adesiva de ombro) e c) condições que partilham os fatores de risco para diabetes mellitus e síndrome metabólica (espondilohiperostose difusa idiopática – “DISH”, gota e osteoartrite).

Devido à extensão de patologias elencadas, vamos nos deter na Mão Diabética, tema focado nas afecções mais frequentes ocorridas em pessoas com diabetes, onde a revisão de literatura foi feita pela Dra. Márcia Nery, Dr. Marcos Tadashi K. Toyoshima e Dr. Maurício Levy Neto da Unidade de Diabetes do Serviço de Endocrinologia e Metabologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

Dentre as patologias ocorridas na mão diabética destacam-se:

  • Queiroartropatia diabética: também conhecida como “limitação da mobilidade articular” ou síndrome da mão rígida, caracteriza-se por diminuição do movimento articular das mãos. Geralmente inicia nas articulações interfalangeanas proximais dos quintos dedos e progride acometendo todas as articulações das mãos. Pode também ocorrer limitação de extensão de articulações maiores como punhos, cotovelos, tornozelos, ombros e esqueleto axial. Ocorre deformidade em flexão dos dedos das mãos por espessamento da pele e do tecido conjuntivo periarticular e da fáscia palmar. Pode ser considerada uma manifestação intrínseca do diabetes mellitus, especialmente o tipo 1. A prevalência está em torno de 8-58% dos pacientes com diabetes e aumenta com a idade e o hábito de fumar. Está relacionada ao aumento do valor da hemoglobina glicada e à duração do DM.

Em diabetes tipo 1, sua prevalência diminuiu em alguns estudos nos últimos 20 a 30 anos, provavelmente como consequência da intensificação do controle glicêmico que ocorreu nestas décadas. A limitação da mobilidade articular está associada a complicações microvasculares do diabetes, como a retinopatia e a nefropatia.

A associação da limitação de mobilidade articular, contratura de Dupuytren, tenossinovite, síndrome da dor complexa regional e da maior incidência de síndrome do túnel do carpo nos pacientes com diabetes mellitus introduz o conceito de “mão diabética” para esse conjunto de anormalidades.

  • Contratura de Dupuytren: O diagnóstico é clínico, baseado na história de enrijecimento não dolorosa dos dedos e espessamento das palmas, com limitação de movimento, enrugamento da derme sobre o tendão flexor e/ou a observação de nódulos visíveis ou palpáveis nos tendões flexores. O tratamento consiste no controle glicêmico, fisioterapia e exercícios manuais. Os casos mais graves com incapacidade funcional podem precisar de cirurgia, porém pode ocorrer risco de recorrência.
  • Tenossinovite de flexor ou dedo em gatilho: A pessoas relatam desconforto palmar durante movimento de dedos envolvidos, estalo doloroso de instalação gradual ou aguda ao flexionar ou ao estender os dedos, que podem estar em posição fixa, geralmente em flexão. O tratamento consiste na injeção de anti-inflamatórios não hormonais ou com bandagem, sendo frequentemente curativo.
  • Síndrome do túnel do carpo: É a neuropatia compressiva mais comum, três vezes mais frequente na população com diabetes do que nas pessoas que não possuem a doença. A queixa mais comum é dor e parestesia (sensação de dormência, queimação, formigamento, frio, pressão) do polegar até a metade do quarto dedo. O quadro é mais intenso à noite e às vezes acorda o paciente. Pode haver comprometimento motor, com hipotrofia muscular da região tenar, diminuição da força e dificuldade para a execução de movimentos finos de preensão. O tratamento consiste na analgesia, órteses para imobilização, aplicações locais de glicocorticoides e em casos mais severos, a cirurgia se faz necessária.
  • Síndrome da dor complexa regional tipo 1: Afeta as extremidades dos membros, geralmente após lesão nervosa, desencadeada por trauma leve ou moderado, cirurgia ou imobilização de um membro, quase sempre o superior. Além da dor em queimação costumam ocorrer alterações de temperatura e coloração, edema, hiperidrose e aumento da pilificação, podendo haver diminuição da função do membro. Acredita-se que diabetes, hipertireoidismo, hiperparatireoidismo e dislipidemia tipo IV possam predispor o seu aparecimento. O tratamento consiste em fisioterapia e terapia medicamentosa.

Vanessa Pirolo

Jornalista, criadora do blog convivência com diabetes, tem diabetes desde o seus 18 anos, e redatora do Portal DBCV. Quer me conhecer melhor? Então, clique aqui!

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